Eu não tenho religião, mas todo ano faço o meu hatsumōde em algum templo por perto, mesmo se estiver viajando. Gosto do clima animado desses dias e do aspecto antropológico dos rituais de passagem do ano.
Este ano fui no templo budista Tanjō-ji, em Kamogawa (Chiba). Ele não é famoso, mas é relativamente conhecido porque fica no local onde nasceu Nichiren, o criador de uma linha budista japonesa que leva o seu nome.
Enquanto esperava na longa fila para ir no local de rezar, fiquei com pena dos deuses e divindades japoneses. São tantos os pedidos nesses três primeiros dias do ano que eles devem ficar saturados.
Para não aumentar o trabalho dos coitados, resolvi por em prática o que o sacerdote xintoísta Yoshihiko Baba, do templo Musashi Mitake Jinja, me falou. Ele acredita que a atitude da maioria das pessoas diante do altar esta errada. Seja qual for a religião, não se deve ficar fazendo pedidos. Mas firmar compromissos de que vai se esforçar para conseguir os seus objetivos.
Pelo o que eu entendi, ele quis dizer que, por exemplo, em vez de rezar para ter boa saúde, a pessoa deve se comprometer que vai se cuidar bem, realizar exames médicos preventivos, ter boa alimentação e outras atitudes para não ficar doente. Ao invés de ficar pedindo para ter dinheiro, deve prometer que vai batalhar para viver com simplicidade, evitar os gastos supérfluos, não cair no consumismo desenfreado etc. Depois que a situação ficar preta, não adianta jogar o abacaxi na mão dos santos.
Quando eu entrei na fila pensei em rezar para pedir uma ajudinha. Neste ano, gostaria de conseguir fazer bastante postagens no Curtindo o Japão. rerere
Depois, mudei de “atitude”, seguindo o conselho do sacerdote, e firmei o contrato com as divindades do Tanjō-ji de que vou batalhar o máximo, criar tempo e energia para cumprir o meu objetivo, já que ingredientes e inspiração para fazer as postagens não faltam.
Podem me cobrar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário