Uma vizinha sempre nos convida para ir na casa dela num dos dias do shōgatsu, entre 1 e 3 de janeiro. É um convite irrecusável. Em primeiro lugar, pela afinidade que temos pelo casal, que já está na casa dos 70 anos de idade. Em segundo, porque ela é uma cozinheira de mão cheia e prepara um dos osechi ryori (conjunto de comidas típicas do Ano Novo) mais gostosos que já experimentei entre as versões caseiras.
Foto: Satomi Shimogo

Tradicionalmente, os pratos do osechi ryori são preparados nos últimos dias do ano para serem consumidos nos dias do shōgatsu pela família e visitas.
Um dado curioso é que eles são feitos em grande volume, de modo que as mulheres não precisem trabalhar na cozinha nesse período e possam curtir tranquilamente a data mais importante do calendário japonês.

Fui dar uma olhada na minha roça, que fica em um terreno que arrendei no bairro vizinho, e vi um movimento diferente em frente ao templo xintoísta do povoado: um grupo dos moradores anciões estava colocando a decoração para o shōgatsu, o Ano Novo japonês.

Eles próprios confeccionaram a decoração artesanalmente, trançando palha de arroz.


Nos primeiros dias do ano todos os moradores virão rezar diante do altar desse templo.

Eu tenho um grande respeito por esses anciões. Todos eles já estão na casa dos 70 ou 80 anos e são verdadeiros patrimônios culturais vivos. Eles ainda mantêm a técnica tradicional japonesa na agrícola, no artesanato, na gastronomia e outras áreas. Coisas que as gerações mais novas do povoado (e do país) já não praticam mais.
É uma grande felicidade, a minha, de poder me relacionar com eles e beber essa tradição na fonte.

DESEJO UM BELO E BRILHANTE SHŌGATSU PARA TODOS!!!
Foto: Satomi Shimogo
Tradicionalmente, os pratos do osechi ryori são preparados nos últimos dias do ano para serem consumidos nos dias do shōgatsu pela família e visitas.
Um dado curioso é que eles são feitos em grande volume, de modo que as mulheres não precisem trabalhar na cozinha nesse período e possam curtir tranquilamente a data mais importante do calendário japonês.
Ar de shōgatsu
Fui dar uma olhada na minha roça, que fica em um terreno que arrendei no bairro vizinho, e vi um movimento diferente em frente ao templo xintoísta do povoado: um grupo dos moradores anciões estava colocando a decoração para o shōgatsu, o Ano Novo japonês.
Eles próprios confeccionaram a decoração artesanalmente, trançando palha de arroz.
Nos primeiros dias do ano todos os moradores virão rezar diante do altar desse templo.
Eu tenho um grande respeito por esses anciões. Todos eles já estão na casa dos 70 ou 80 anos e são verdadeiros patrimônios culturais vivos. Eles ainda mantêm a técnica tradicional japonesa na agrícola, no artesanato, na gastronomia e outras áreas. Coisas que as gerações mais novas do povoado (e do país) já não praticam mais.
É uma grande felicidade, a minha, de poder me relacionar com eles e beber essa tradição na fonte.
DESEJO UM BELO E BRILHANTE SHŌGATSU PARA TODOS!!!
Oba! Ganhei mais um sushi decorado!
Uma vizinha chegou em casa trazendo mais um matsurizushi, um tipo de sushi enrolado (makizushi), típico da região onde moro.
Desta vez o desenho é de uma libélula e de uma flor


Clique aqui para ver o outro matsurizushi que devorei antes. Nesse post também tem mais explicações sobre essa obra-prima da culinária japonesa.
Desta vez o desenho é de uma libélula e de uma flor
Clique aqui para ver o outro matsurizushi que devorei antes. Nesse post também tem mais explicações sobre essa obra-prima da culinária japonesa.
Um recorde como viajante
Estou voltando da província de Fukui, que fica lá na outra banda do arquipélago, de frente para o Mar do Japão. Essa foi uma empreitada especial porque com ela eu completei a façanha de ter viajado por todas as 47 províncias do país.
Até que provem o contrário, acredito ser o primeiro e único brasileiro detentor dessa marca. São poucos os japoneses que também já fizeram o mesmo. Não inclui na contagem as vezes que estive em alguma província só de passagem. Contabilizei apenas quando pernoitei e passeei em cada uma delas.

Há vinte anos, quando cheguei no Japão, não falava muita coisa além do arigato/sayonara, mas desde o começo, nos dias de folga, me joguei nos trens e ônibus sem saber até mesmo para onde se dirigiam. Naquela época, também não havia a disponibilidade de informações que temos hoje com as publicações em línguas estrangeiras e a internet, o meu guia turístico eram as janelas dos transportes que tomava. Quando avistava através delas alguma coisa interessante – uma bela paisagem, o tellhado curvilíneo de um templo, uma lojinha tradicional – descia no parada seguinte e ia atrás. Depois, comecei a ter meios próprios de locomoção, além das pernas: bicicleta, vespa, carro. Com eles, rodei por lugares que nem existiam no mapa.
Quanto mais me aventurava pelas terras, pelos costumes, pelas tradições, mais me deslumbrava e sentia vontade e prazer em decifrar este país-ideograma. E o destino me deu de presente uma companheira para todas as viagens, uma japinha legítima que, como eu, curte demais a cultura do seu povo e também a do país que fica no outro lado do mundo. Com as pesquisas e as explicações dela, pulei do pré-primário para a faculdade como viajante-japonólogo.
O destino também nos deu asas para sonhar e voar. A companhia aérea JAL e a empresa J INTER passaram a oferecer as viagens para apresentarmos a cultura japonesa e os pontos turísticos na mídia brasileira existente no Japão. Em terra de cego, quem tem um olho pode enfocar com uma câmera: me tornei um “viajante profissional”. E graças a essas duas empresas e aos jornais e revistas para os quais trabalhei, já são catorze anos de peregrinação do extremo sul ao extremo norte do arquipélago nipônico.
Sempre me perguntam quais os lugares que mais gostei. Depois de viajar por todas as províncias, eu posso afirmar com toda segurança que o lugar que eu mais gostei de visitar foi o coração dos inúmeros japoneses com quem me encontrei nestes vinte anos curtindo o Japão. Desde quando não entendia e não falava quase nada do idioma, sempre fui acolhido amável e fraternalmente. Não deixei de sentir o calor do povo nem em regiões subárticas cobertas de neve e gelo.
Até que provem o contrário, acredito ser o primeiro e único brasileiro detentor dessa marca. São poucos os japoneses que também já fizeram o mesmo. Não inclui na contagem as vezes que estive em alguma província só de passagem. Contabilizei apenas quando pernoitei e passeei em cada uma delas.
Há vinte anos, quando cheguei no Japão, não falava muita coisa além do arigato/sayonara, mas desde o começo, nos dias de folga, me joguei nos trens e ônibus sem saber até mesmo para onde se dirigiam. Naquela época, também não havia a disponibilidade de informações que temos hoje com as publicações em línguas estrangeiras e a internet, o meu guia turístico eram as janelas dos transportes que tomava. Quando avistava através delas alguma coisa interessante – uma bela paisagem, o tellhado curvilíneo de um templo, uma lojinha tradicional – descia no parada seguinte e ia atrás. Depois, comecei a ter meios próprios de locomoção, além das pernas: bicicleta, vespa, carro. Com eles, rodei por lugares que nem existiam no mapa.
Quanto mais me aventurava pelas terras, pelos costumes, pelas tradições, mais me deslumbrava e sentia vontade e prazer em decifrar este país-ideograma. E o destino me deu de presente uma companheira para todas as viagens, uma japinha legítima que, como eu, curte demais a cultura do seu povo e também a do país que fica no outro lado do mundo. Com as pesquisas e as explicações dela, pulei do pré-primário para a faculdade como viajante-japonólogo.
O destino também nos deu asas para sonhar e voar. A companhia aérea JAL e a empresa J INTER passaram a oferecer as viagens para apresentarmos a cultura japonesa e os pontos turísticos na mídia brasileira existente no Japão. Em terra de cego, quem tem um olho pode enfocar com uma câmera: me tornei um “viajante profissional”. E graças a essas duas empresas e aos jornais e revistas para os quais trabalhei, já são catorze anos de peregrinação do extremo sul ao extremo norte do arquipélago nipônico.
Sempre me perguntam quais os lugares que mais gostei. Depois de viajar por todas as províncias, eu posso afirmar com toda segurança que o lugar que eu mais gostei de visitar foi o coração dos inúmeros japoneses com quem me encontrei nestes vinte anos curtindo o Japão. Desde quando não entendia e não falava quase nada do idioma, sempre fui acolhido amável e fraternalmente. Não deixei de sentir o calor do povo nem em regiões subárticas cobertas de neve e gelo.
22/01/2010
‘Nabe’ tem gosto de festa
- Você vai estar ocupado à noite? – Me perguntou a amiga Maho- Tenho um pouco de trabalho. Por quê?
- Vou preparar um 'nabe' em casa e pensei em convidar vocês.
- Se é 'nabe' eu vou de qualquer jeito.
- Hum... mas não sei se você vai gostar. Eu ganhei carne de javali...
- Javali? Adoro!
- Eu nunca preparei antes. Pode ser que não fique bom...
- Não tem problema. Se for 'nabe' e se juntar mais de duas pessoas, vira festa!
A carne de javali é um ingrediente meio raro, normalmente, o nabe é preparado com carne de frango ou postas de peixe ou outros frutos do mar. Também entra tofu (queijo e soja) e verduras da época. Mas é um prato muito versátil, onde cabe uma grande variedade de ingredientes e combinações.
Meu amigo Tomohisa é o marido da Maho. Ele é ceramista.
A palavra nabe significa panela. Mas também pode se referir ao ensopado preparado sobre um fogareiro em cima da mesa.
O nabe é uma comida fácil de preparar e muito econômica. Ótima para servir nas reuniões com amigos.
Comida típica do inverno, o nabe é muito bom para aquecer as noites frias. Na panela coloca-se um tempero básico e depois cada um acrescenta outros temperos à gosto no próprio prato.
Esta salada é 100% da minha horta: alface-crespa, rúcula, coentro e mizuna (verdura japonesa).
A carne de javali é um pouco dura, mas até a gordura é saborosa. Dizem que é importante deixar escorrer todo o sangue depois de matar o animal para não ficar com sabor e cheiro desagradáveis.
Gosto de comer na casa desses amigos para saborear a comida admirando as cerâmicas que ele produz e outras que coleciona.
Desta vez, ele me mostrou duas preciosidades da duas coleção: laca japonesa genuína (urushi). Elas também vão à mesa.
O NABE combina com KANPAI - SAÚDE!!!
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